Paramartasaya


   Dando continuidade a alguns textos quetratamos de falar acerca dos Bodhisattvas e dos Dhyani Bodhisattvas, hoje trataremos de aprofundar o entendimento do que seja um Paramartasaya.

   O Bodhisattva, como já sabemos, é a Alma Humana de um Mestre. Claro que nem sempre a Alma Humana de um Mestre é chamada Bodhisattva, já que o Bodhisattva é resultado de um constante sacrifício pela humanidade, uma real compreensão do sentido daquilo que somos e do que podemos e devemos fazer em prol as demais viventes criaturas.

   Mas o Mestre Interno forma-se quando concluímos a Primeira Iniciação de Mistérios Maiores e há esta conjunção da Consciência e do Íntimo, de Budhi e Atman, integrados, para resgatar a Manas, a Alma Humana.

   Conforme esta simbiose avança, e conforme vá se fazendo estes infinitos Sacrifícios em benefício da Humanidade, esta Alma torna-se o Bodhisattva, que é o veículo de compaixão do íntimo, por meio do qual realiza seus esforços não apenas por sua autorrealização, mas pela realização e pela bem-aventuranças de todos os Seres.

   Quando o Íntimo, a Consciência e a Alma Humana se fusionam, seguem Obrando, então surge o Dhyani Bodhisattva, que é esta tríade, que deve servir de expressão das Três Forças Primárias Universais do Logos.

   Isto tudo que até aqui falamos envolve uma Mônada, que pode ainda não ter se autorrealizado. A Autorrealização implica em chegar até o Absoluto, até Deus Imanifestado, e este é o sentido da Religião, a reunião e a integração de tudo aquilo que somos, para que retornemos autoconscientes até a Divindade Original, até o princípio central da criação.

   Uma vez que o Bodhisattva esteja preparado, encarna-se o Mestre Interno, uma vez que o Dhyani Bodhisattva, que é o Mestre interno integrado com a Alma, esteja preparado, encarna-se o Logos. Quando o Logos está realizado, ou seja, perfeitamente integrado, recebe-se o direito de ingressar ao Absoluto, pois somente a Divindade pode penetrar no seio da Divindade Imanifestada.

   Cada vez que se renuncia ao direito de habitar no Absoluto Imanifestado, nesta região de felicidade muito, extremamente além daquilo que vê-se no nirvana (céu convencional), retorna-se ao mundo e tem-se de refazer todo o processo.

   A cada vez que este processo é refeito, todas as circunstâncias da Iniciação são modificadas e acentuadas. Assim que o que vive uma Mônada que pela primeira vez busque a autorrealização, é distinto da Mônada que está fazendo pela Segunda, Terceira, Quarta vez.

   Muitas divindades tornam-se regentes, tiranos, muitas divindades abandonam o mundo e submergem merecidamente nas regiões de infinita felicidade, mas algumas Mônadas Divinais, submetem-se novamente a ordália da Iniciação para que em sua marcha, arranquem da mecânicidade e da dormência aos povos que tenham contato.

   E assim vemos acontecer de tempos em tempos o surgimento de Avataras, de Profetas, de diferentes expressões do Cristo encarnado, que sob diferentes nomes, sob diferentes formas, sempre adaptado a época e a cultura, entrega o bálsamo para curar a humanidade da enfermidade moral que esteja encarcerada.

   Mas falando objetivamente sobre Paramartasaya, na verdade somente torna-se realmente um habitante do Absoluto, aquele que adquira este grau, que é relativo a ter realizado a Obra por Três Vezes. Já que cada vez que nos autorrealizamos, cada vez que completamos a Grande Obra, ingressamos a um “Salão”, uma região diferente do Absoluto, Deus Imanifestado.

   Isto recorda muito o ato de bater um prego, pois cada vez que fazemos o movimento de nos afastar com o martelo do prego, e o acertamos novamente, este vai se aprofundando na madeira, e em síntese é o mesmo que acontece na Obra, pois cada vez que nos afastamos do Absoluto e refazemos o percurso, vamos ingressando mais profundamente no mesmo.

   Por isto que há tanta diferença entre Iniciados, entre Mestres e mesmo entre os Logos, ou Deuses. Pois é possível que não seja a primeira, nem a segunda, mas a terceira, quarta vez que está buscando autorrealizar-se.

   E por mais que conheçamos o caminho, por mais que tenhamos trilhado todo este percurso até o Absoluto, nunca é igual, nunca é sequer similar, pois esta variabilidade do mundo, da cultura, da época, da região, em fim, de tantas influências e detalhes, tanto em seu aspecto mais inferior como espirituais, faz com que seja um eterno desconhecido a cada passo que nos cabe dar.

   Muitas vezes é falado do termo “Mestre de Mestres”, e isto normalmente é uma referência a estes seres que mesmo na Maestria estão muito além da Maestria, afinal não é a primeira vez que chegam a altura de integrar-se com o Mestre Interno ou mesmo com o Logos.

   Ainda assim, nem sempre são estes seres divinos a quem cabe realizar tal ou qual função em benefício da humanidade, e sim organizar, guiar, auxiliar aqueles que tem estas funções, já que necessitam destes trabalhos para integrarem-se com suas partes internas.

   As Iniciações, os Poderes, os distintos avanços espirituais que temos, são pagamentos que faz o Logos pelos serviços que prestamos.

   Se apenas aos “Seres Perfeitos” fossem dadas estas missões, inevitavelmente seria um absoluto revés a todos os demais Iniciados, já que não poderiam cumprir com a Obra.

   Assim que é dito que o Cristo não apenas faz, mas auxilia outros a fazerem, de maneira que cada um tenha oportunidade de cumprir com diferentes aspectos os quais é capaz dentro de seu processo. E dá o respaldo e o auxílio naquilo que não somos capazes.

   A Humanidade em parte é muito cética para com os Anjos, os Arcanjos, Serafins, Potestades, etc., ou como chamem-se em cada cultura, por não verem estes a todo momento determinando de forma enfática e perceptível no rumo da humanidade.

   No entanto, o que estamos afirmando, é que se estes seres estivessem a cada momento interferindo naquilo que não lhes cabe interferir, ninguém jamais poderia por si mesmo realizar a Obra, já que não haveria erros nem dificuldades e estes erros e dificuldades são os que vencendo, vamos nos aproximando da Divindade.

   Claro que há o que nos cabe realizar e o que não nos cabe realizar, e aí entra a necessidade desta integração com a força que nos corresponda no atual estágio de nossa Obra encarnar.

   E há sempre processos quase incompreensíveis no caminho, se estamos apegados a informação de maneira meramente mecânica.

   Recordamos certa vez nos mundos internos, o Diálogo de um destes Mestres de Mestres, com outra criatura, lhe indicando que no atual processo de sua Obra, não podia seguir mais sua consciência.

   Confesso que não compreendemos a afirmação de imediato e que observando aquele diálogo não pudemos mais do que ficar confusos e sem reação, diante da informação dada.

   Mas desconectando-se de nós como pessoa, e integrando-nos com o Íntimo, ou mesmo como um Logos, fica claro que a cada etapa do caminho, há forças maiores que nós as quais temos de integrar-nos, que temos de assimilar, e as quais temos de integrar-nos com seu “preceito”, digamos assim.

   Afinal para a pessoa, dependendo do Estágio, a Consciência, o Íntimo é seu guia, já em outros processos, havendo a guiatura do Logos, é o Logos a força a ser seguida, e, por fim, há de integrar-nos com esta vontade universal e soberana que integra-se e compenetra tanto o criado como o incriado.

   Por isto se compreende, quando dizem os Mestres que o caminho é o desconhecido de momento a momento e que qualquer “máxima”, que qualquer conceito, qualquer preconceito, fica sempre sobrando, já que há mudanças drásticas a cada passo do caminho.



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