Palavras e Silêncio


   A voz, as palavras, são uma capacidade, uma capacidade muito interessante que temos. Já que é um dom intimamente ligado com o Pai que é o Verbo, o Som Universal, a Verdade. Sendo como já sabemos o Cristo a Luz, e o Espírito Santo o Calor como manifestação destes princípios.

   Os Deuses criam com o poder do Verbo, o que quer que precisem cristalizar o fazem pela palavra. E é por isto que em algumas orações pedem-se “Coros” de Anjos, que na verdade é exatamente como realizam a manifestação de nossas petições, por meio de suas palavras em uma ressoante harmonia.

   É claro que para nós isto pode parecer algo muito distante, visto que usamos esta matriz do verbo (nossa laringe) em geral para causar danos, gerar enganos no entendimento das demais pessoas.

   A Palavra é algo que traz consigo grande responsabilidade, pois é um poder que molda e esculpe o ambiente tanto física como internamente. Um local que serve de palco a discórdias e a troca de acusações, que serve para mentir e enganar aos demais, ou que usam palavras cujo significado é grosseiro, moldam um ambiente internamente negativo e por consequência fisicamente da mesma maneira. A Palavra também claro atua como um catalisador de forças internas as quais se aproximam, se afastam, também se moldam, de acordo com a palavra proferida.

   É claro que a matriz da palavra nas pessoas em geral, não é dotada do verdadeiro poder do verbo, exatamente porque não tem a condição nem a responsabilidade de arcar com esta capacidade e com as consequências do uso da mesma.

   Ainda assim, qualquer palavra dita, é uma espada que pode ser usada para o bem ou para o mal e traz consequências irrevogáveis uma vez proferida.

   Há algo ainda mais profundo e mais significativo que a Palavra, e este é o Silêncio. Muitas vezes quando queremos transmitir algo, falamos, mas, em geral, vemos que por diversas vezes exatamente é quando as palavras cessam, que realmente o diálogo se dá de uma maneira plena e significativa já que internamente se transmitem e se recebem percepções muito mais claras e muito mais profundas do que podemos expressar com as palavras que hoje em geral conhecemos e usamos para o diálogo.

   Por vezes, falar é um delito, por vezes, calar é um delito. Assim claro também não apenas se falamos, quando falamos, mas o que falamos, como falamos.

   Ainda além disto, há os impulsos que geraram a manifestação desta palavra. Pois duas pessoas podem dizer o mesmo, da mesma forma, em um momento oportuno e ainda assim uma manifestação ser negativa e outra não.

   Mas no silêncio das palavras vemos que muita coisa é transmitida, como já dissemos. E é interessante que muitas vezes o silêncio é mais eloquente e mais eficiente do que qualquer coisa que possa ser dita. Nem sempre quantidade indica qualidade, como bem entende qualquer pessoa observadora, a síntese na palavra, a síntese em um ensinamento serve exatamente para que o real seja transmitido não pelo discurso mas pelo silêncio, e para que o próprio indivíduo busque por si mesmo as respostas e que de maneira concreta as encarne, e não tenha apenas uma informação inútil que nada lhe adiciona.

   Uma mesma palavra pode servir de bênção para uma pessoa e de insulto para outra.

   Por isso, antes de se pronunciar uma palavra, seu resultado deve ser muito bem calculado.

   Os Senhores do Karma julgam as coisas pelos seus feitos, ainda quando cometidas sob boas intenções.



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