O Sacrifício de Nossas Debilidades


   A Humanidade atual desenvolveu-se dentro de uma cultura voltada ao culto do Eu, da unidade pessoal como principal força a ser respeitada, protegida e defendida.

   Claro que não está errado uma pessoa querer o melhor para si mesma, ou para outro semelhante em particular, o problema nisto tudo é que este Eu o qual é defendido, não é uma unidade perfeita, é um conjunto de defeitos, de vícios, de maus hábitos nocivos, de delitos que carrega a pessoa.

   Então o primeiro que temos que desenvolver em nosso trabalho, é esta não defesa de nossas debilidades, é realmente perceber por meio desta observação de nossos pensamentos, de nossos sentimentos, de nossas ações, quem realmente somos, o que fazemos de equivocado, de errado, e não defender estas debilidades.

   Existem dentro de nós defeitos, falhas, que ao serem eliminadas, originam virtudes, poderes, dons espirituais. O conjunto destas virtudes formam o que conhecemos pelo nome de Alma. Nós temos uma Alma mas não a possuímos, somos desalmados, e isto vemos na prática todos os dias.

   Existem muitas maneiras de realizar na prática o trabalho de eliminação de nossos defeitos, ainda que todas elas coincidam em alguns pontos essenciais e imutáveis neste trabalho.

   - Precisamos perceber conscientemente o que está errado em nós;

   O que fazemos de errado? Que pensamentos são gerados por forças negativas e equivocadas? Que sentimentos são nocivos para nós e para nossos semelhantes? O que em nós está originando tal ou qual ação e qual o resultado da mesma?

   - Compreender verdadeiramente o que é o impulso natural e o que é a deturpação deste impulso;

   Uma pessoa tem naturalmente o impulso de alimentar-se, mas da escolha que faça dos alimentos, da quantidade que se alimente, da periodicidade, podem atuar falhas psicológicas como da gula, da inveja, da auto-consideração, da cobiça.

   É Nnatural querer educar da melhor maneira nossos filhos, mas se atuamos por medos, com raiva, com uma série de elementos negativos, equivocados, o resultado desta educação é um fracasso.

   - A Não defesa do defeito, e a luta por sua eliminação;

   Uma pessoa poderia justificar algo de errado que faça, dizendo: “Faço porque todos fazem”, “Sempre fui assim”, dentre uma série de justificativas e evasivas para manter vivo o mal que leva em seu interior. Ao defender o elemento, mescla-se a ele e sua eliminação torna-se algo impossível.

   A parte efetiva da eliminação, pode já ter acontecido no simples processo de separar o que é o impulso natural, a virtude, e o que é o defeito, a falha psicológica se aproveitando do impulso natural que temos.

   Dependendo do quão enraizado em nossa psique esteja este elemento, ainda teremos que lutar e apelar para forças mais além das capacidades conscientivas do homem.

   Esta súplica a Divina Mãe, é a parte final deste trabalho, que se este defeito não tiver cometido delitos graves demais, poderá ser eliminado neste ponto.

   Este trabalho nem sempre tem seus resultados do dia para a noite, muitos elementos teremos de trabalhar sobre eles, semanas, meses, dependendo de seu tamanho e de sua força dentro da pessoa. Outros, um dia de trabalho é o suficiente para reduzi-los a pó e extrair deles a mais pura virtude as quais aprisionavam.

   Uma das formas, uma das maneiras que encontramos de ter forças para este trabalho contra esta legião de defeitos que carregamos em nosso interior, é por meio do Sacrifício pela Humanidade. Como bem sabemos, os fatores para a Revolução da Consciência, para a Emancipação, para o Despertar absoluto da Consciência, são a Morte Psicológica que é a eliminação destes defeitos. A Alquimia que é a Transmutação de nossas energias sexuais, a sublimação e o acúmulo destas forças que são a origem tanto do homem como de planetas, sóis e tudo quanto existe. E o Sacrifício pela Humanidade que é a culminação deste trabalho, como de atuação e exercício destas virtudes, desta consciência que estamos encarnando, Despertando.

   O Sacrifício de nossas debilidades e de nossos defeitos, é algo que se vamos ver a fundo, se relaciona muito com este Sacrifício que temos que fazer pela humanidade, este serviço realmente desinteressado, sem segundas intenções, aonde prezamos a bem-aventurança de todos os seres viventes.

   O Cristo como princípio divino, é uma força que vive pelo bem-estar geral, que supre e que aviva a vida, por meio de seu autossacrifício.

   Como este Sacrifício, como este esforço consciente é algo contrário aos interesses egoístas que tem a pessoa, é pois uma bela forma de eliminação destas debilidades.



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