Amor é o Preceito


   O Amor, quantos homens e mulheres já cantaram, poetizaram, esculpiram em pedras, ou por meio de pinturas, de escritos, sua exaltação ao que é o amor.

   No entanto, é algo totalmente incompreensível para quem nunca sentiu pelo menos uma vez a plena manifestação do amor em sua vida.

   Falar do Amor é como falar de Deus, pois é um princípio realmente espiritual, não é algo que está nas formas ou que possamos vê-lo em sua forma, senão que o que vemos é o desdobramento deste princípio como ações.

   Há diferentes tipos de amor, no sentido da forma como ele se manifesta. A própria Iniciação que é este regresso à Divindade, o princípio da Religião que é unir o homem novamente a Deus, tem por princípio a manifestação e a exaltação do Amor em todas as suas formas.

   Para nós entendermos isto basta citar que os mandamentos de Deus estão fundamentados no amor, como podemos claramente observar.

   “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”, mesmo os demais mandamentos sem citarem especificamente o Amor, fica implícito que para que se cumpram os mandamentos de maneira consciente, somente se o amor estiver encarnado nesta forma humana.

   O Amor é um princípio que atua sob diferentes formas, visto que podemos dizer que este amor se polariza de maneira distinta, de acordo com certas características humanas.

   O Amor é sempre “A Grande Prova”, seja nos estágios mais iniciais, ou nos estágios mais profundos e sublimes da integração com Deus. Somos constantemente provados em nosso amor para com nossos semelhantes, também no amor matrimonial, no amor fraternal, no amor divinal, no amor filial, e assim por diante.

   E é interessante que o Amor, realmente o princípio do Amor, é uma força terrivelmente superior a tudo que conhecemos, é a manifestação do próprio Deus, em meio a ações humanas, que fazem-nos transcender a simples humanidade pois nos permite realizar atos que já não correspondem ao reino animal ou mesmo humano, que não são compreensíveis pela razão e pelo intelecto, ainda assim o realizamos, por Amor.

   O Amor é uma força diríamos Terrível, porque realmente está mais além dos conceitos de bem e de mal. É o verdadeiro princípio da criação e da redenção de todas as coisas existentes.

   Nós não somos hoje capazes de compreender Deus, porque não temos encarnados em nós esta última manifestação do Amor, que em última síntese é a emanação do próprio Deus em seu infinito sacrifício por tudo e por todos.

   Muitas das ações que tem os Iniciados e que são incompreensíveis para a maior parte das pessoas, em geral, se é realmente um iniciado se está trilhando seriamente o caminho, é porque está fundamentada no Amor e por isto é mal vista ou incompreendida sua manifestação, sua ação.

   É só tomarmos o exemplo do Cristo, em cada uma de suas manifestações humanas, que sempre fez, que sempre faz, o improvável, o incompreensível, no sentido de um supremo sacrifício impulsionado por um profundo amor, a Deus, a todos.

   Sempre que falamos de Amor, inevitavelmente os jovens e as pessoas maduras remetem-se ao amor Matrimonial, este que existe entre um casal, e que é o princípio que faz com que um relacionamento seja realmente frutífero. Mas também há o amor Divinal, que é o que sentimos para com a Divindade, para com o Espírito, este empuxo que nos eleva a estas regiões e nos faz querer estarmos com ele, termos Ele a nosso lado, sua bênção, sua guiatura.

   As alegrias humanas em geral, são resultados de uma parcial obtenção de coisas que nos remetem a estes tipos de amor. Que claro na vida das pessoas não costuma ser amor, e por isto é apenas uma alegria e logo depois uma desilusão, uma tristeza.

   Afinal uma amizade, um companheiro/companheira matrimonial, uma centelha de luz divina que brilhe para nós, qualquer pequena coisa que tenha uma mera semelhança com a sombra do Amor já traz as vidas das pessoas uma esperança, no entanto o Amor, o que faz com que uma amizade seja realmente algo fraterno, verdadeiro, é algo distinto.

   O Amor é incompreensível porque muitas vezes faz com que tenhamos de ter longe, quem queiramos ter mais perto, ou faz-nos ter perto quem preferíamos ter longe. Falar do amor como já dissemos é quase como falar de Deus, pois nos remete a questões que não existem palavras para especificar realmente este princípio ou mesmo sua manifestação. E ainda assim, não são coisas que o intelecto entende, ou aceita, mesmo usando as palavras mais corretas para especificá-lo, explicá-lo.

   As Mães principalmente sabem, o que é o Amor, este é talvez o maior e mais forte tipo de amor que ainda hoje as pessoas tenham em suas vidas.

   É muito difícil a manifestação de cada um destes tipos de amores, e mais difícil ainda é evocarmos o princípio correto em cada circunstância da vida.

   Muitas vezes os casais em vez deste Amor Marital, manifestam em seu relacionamento um para com o outro um amor Filial, ou mesmo Fraternal, o que transforma a vida de um Casal em uma Amizade e não em um Casamento.

   É natural que a mulher principalmente manifeste em alguns momentos sua expressão de filha, de mãe, mesmo de Deusa, como princípio criador manifestado. Mas se não é capaz de sustentar o Amor Matrimonial, ou de evocá-lo nos momentos adequados, certamente todos os amores põe-se em risco. Claro que isto ocorre igualmente para os homens, ainda que em outros contextos da vida, já que por diversas vezes portam-se e sentem este impulso espiritual que é o Amor Matrimonial mas não manifestam um amor Filial, Fraternal, Divinal, etc.

   Dizem os sábios que somente as grandes almas sabem amar, e talvez seja por isto que o Amor seja uma força tão escorregadia. Em geral aqueles que buscam o amor não o encontram. E aqueles que o encontram, quando perdem dificilmente voltam a vê-lo ao longo de sua mísera existência.

   Quem nunca amou, não sabe o que é o amor.

   No entanto, para a Iniciação, o Amor é o preceito.



MDCLXV