Conhecimento e Sabedoria


   Vivemos a era das máquinas, tempos de produção em série.

   Não apenas nos referimos ao maquinário industrial e tecnológico, mas às próprias pessoas.

   A vida é algo cíclico, as eras se repetem, as forças que regem a humanidade vão e vem, e muitas coisas que já foram, voltam a ser, por uma repetição que faz a natureza.

   Hoje vivemos uma época de rompimento com a mecanicidade. Claro que é a época aonde torna-se maior a tirania para com as massas, e quem normalmente saia deste padrão, sai por um impulso negativo, e não por uma integração com sua consciência, com suas virtudes, por uma individualidade divina, que tenha.

   Os colégios criam animais, criaturinhas que vão aonde todos vão, fazem o que todos fazem, pensam como todos pensam, isto é a escola dos dias atuais.

   Claro que em tudo há exceções, mas é como ocorre na grande maioria dos sistemas educacionais da atualidade. As empresas também não querem pessoas, querem verdadeiros robôs que somente trabalhem em silêncio e dentro de um padrão exato de suas mentes dogmáticas.

   Hoje em dia no próprio esoterismo vemos isto ocorrer. As pessoas cada vez afastam-se mais e mais da verdadeira sabedoria, e acumulam conhecimentos e mais conhecimentos, que são teorias, e nada realmente compreendem.

   Os Mestres compartilham sua sabedoria, não para nos dotar simplesmente de conhecimento, mas para que vejamos que a realidade é algo maior do que podemos perceber, ou do que aquilo que nos mostram os sistemas e o mundo.

   O problema é que as pessoas se fixam nestes ensinamentos como conhecimento, como informação. Aprendem, repetem e ficam nisto, como se deter o conhecimento fosse ter esta sabedoria, que é algo que viveu, que compreendeu, que encarnou esta pessoa.

   Pode parecer bobagem o que falamos, mas morre a pessoa, desencarna, ela voltará a estes ensinamentos? Continuará sabendo estas teorias que estudou, que aprendeu do que alguém lhe falou?

   É bem possível que retorne, por uma recorrência mecânica e que continue nesta mecanicidade que já teve, mas pode também ir parar em qualquer lugar, estudar outra coisa, aceitar outros ensinamentos, outros conhecimentos, porque simplesmente não é algo que ela realmente detinha, como vivência, em sua consciência.

   Temos que nos dar tarefa de trilhar o caminho por nossas próprias pernas. Há sim um momento de estudar, mas chega um momento que se não vivemos estes ensinamentos, realmente não experimentamos a realidade não só física mas transcendental de cada um destes aspectos, ficamos como um crente a mais, um tolo a mais no mundo afirmando o que desconhece.

   Pois a pessoa ao afirmar o que não compreende, ela altera dentro do que é seu conceito, seu preconceito, e aí já falseia a verdade e assim é como se corrompe, como se distancia estas formas deixadas da sabedoria, de seus princípios originais, espirituais.

   Nosso trabalho não deve ser no sentido de coisas perenes e temporárias, mas naquilo que seja definitivo e permanente.

   Qualquer pessoa poderia desenvolver-se em uma técnica como a meditação, e extrair preciosidades indizíveis para compartilhar para com a humanidade, pelo simples falto que aprendeu a liberar temporariamente sua essência em meio de seus defeitos e vivenciar um samadhi.

   Porém desencarna esta pessoa, e se ela não trabalhou por encarnar estas virtudes, por remover permanentemente esta essência em meio a seus defeitos, volta como uma pessoa qualquer, um João ninguém a mais no mundo.

   É muito comum ver pessoas nas ruas e saber que estas pessoas ainda hoje são adoradas no Oriente principalmente, e hoje não são nada mais que coisa alguma.

   Então o conhecimento não é nada mais que uma ponte para chegarmos a esta sabedoria. É um sinal, uma placa indicativa para buscarmos esta sabedoria, esta verdade que é algo absolutamente espiritual, individual de cada um.

   Não que realmente seja individual, porque são forças que estão muito além da individualidade, é uma sobre-individualidade, mas individual porque não encontramos no mundo e em ninguém tal sabedoria.

   O dia que uma pessoa realmente desperte sua consciência para a realidade que é o caminho espiritual, para o que são as virtudes, este dia pode morrer, nascer, mil vezes, e mil vezes estará no caminho, porque o busca por consciência, não por uma mecanicidade da vida.

   Ponha esta pessoa em um palácio ou em uma favela, e estará lá, incólume, porque trabalhou em sua raiz, em sua base, e naquilo que é o único que podemos carregar entre nossas existências, suas virtudes, seus defeitos.



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