A Síntese de todas as coisas


   Temos feito grande ênfase na questão da dualidade e da síntese e esperamos que neste ponto tenham a atenção e a capacidade de perceber o meio para realizar este processo de encontrar a verdade de cada questão.

   Nossos defeitos se sustentam na dualidade e por isto devemos chegar a síntese porque é o coração da questão.

   Se perdemos um ente querido e verdadeiramente estudamos a dualidade da vida e da morte, se chegamos a esta síntese deste eterno e infinito recomeço, percebam que a dor desta aparente separação desaparece, porque temos condições de compreender por uma manifestação da consciência naquele instante, os segredos que existem entre a vida e a morte.

   Assim se não temos algo que queremos, e observamos tantos quantos têm muito menos do que temos, um mundo injusto aonde para que um tenha algo a mais, outro terá que ter o seu diminuído. Acreditam realmente que uma pessoa com Alma que estude estes opostos, irá querer para si algo além do justo? Pois assim é como eliminamos nossos defeitos, os compreendendo e chegando a síntese da questão que é esta consciência liberta.

   Por isto dizemos que quando liberamos a essência, temos a oportunidade de transformá-la em consciência.

   Uma pessoa que estude os opostos da dor humana e do sofrimento, pode que realmente por uma virtude cometa erros, como abandonar tudo e todos, enfim, entregar-se a uma loucura ainda que com fins virtuoso, e isto já é um outro nível de trabalho pois necessitamos polir e perfeicionar esta essência livre, esta fração de alma de forma a ser verdadeiramente útil aos propósitos divinos. É ai que ela transforma-se em Consciência verdadeiramente, mas há muitos graus de desenvolvimento.

   Se vivemos cada momento, se não estamos presos na questão temporal de uma existência, o ego não pode nos impor sua contínua existência, porque estamos avaliando cada questão livres de conceitos já estabelecidos.

   Gosto disto, não gosto daquilo, isto me alegra, aquilo me entristece. Porque um dia de chuva é menos belo e agradável que um dia de sol? Porque uma tempestade seria menos encantadora ou mais agradável que um dia nublado?

   Percebam que porque temos hábitos criados por nossos defeitos, acabamos presos a uma programação e a uma ideia de que “temos que fazer isto” e se o tempo impede, ficamos emburrados, pois não somos capazes de lidar com a vida, com as modificações que surgem no caminho.

   Muitas pessoas acham que a morte do ego é um sofrimento, realmente dependendo do agregado, podemos afirmar que talvez seja até mais doloroso o eliminar do que morrer fisicamente, porque há eus kármicos, eus causais cuja eliminação é realmente mais dura do que a própria morte.

   Mas a liberdade que nos traz este tipo de trabalho é verdadeiramente algo que não temos palavras para descrever, porque não são questões que um discurso explicaria, certamente.

   Todo sofrimento humano se dá por esta corrupção espiritual que assola toda a humanidade. Nós preferimos sofrer pouco a pouco, uma existência inteira e centenas de anos em involução, do que viver um único momento pleno, compreender e chegar a síntese, a verdade de cada questão.



MDCLXV