A Imitação e o Ser


   Há equívocos muito perigosos que podem acontecer no decorrer do caminho e um deles é o entendimento equivocado de que “Maestria”, de que “Adeptado”, é simplesmente uma postura que uma pessoa assume, uma forma a agir, de expressar-se, de forma similar aos Mestres.

   Isto como já dissemos em outro momento é o que forma esta imagem de um “Eu Superior”, uma molde fantasioso do que supomos seja o Ser.

   O Ser não é algo humano, certamente nada do que imaginamos e do que supomos sobre nosso Ser, é Ser, senão um molde que estamos criando de um “Eu Superior”.

   Então quando a pessoa atinge por meio de alguns Eus esta forma que ele entenda seja o Ser, surge a mitomania, o fanatismo.

   Imitar a ação que fizeram os Mestres é algo impossível, porque o Ser de cada um tem sua própria particularidade e nunca a expressão de um é igual ao de outro, nem mesmo o caminho é idêntico.

   É muito raro no caminho uma pessoa saber quem seja seu Ser por ele mesmo. Na história contemporânea, conta um Mestre que há apenas dois casos de Homens que descobriram por eles mesmos quem era seu Deus Íntimo.

   Por isto que na atualidade há tanta descrença para com aqueles que se dizem ser Bodhisattvas de tal ou qual Mestre.

   Na história contemporânea do Gnosticismo, sempre outro Mestre era quem investigava e dizia quem era o Ser do outro. O próprio Mestre Samael por muito tempo se denominou apenas “Aun Weor”, e mesmo com toda sua capacidade investigativa e Consciência Desperta ele sabia quem eram cada um dos seus discípulos, até lhes entregava seus nomes Internos aos que tinham condições de recebê-lo, mas precisou que outra pessoa lhes dissesse quem era.

   O Mestre Samael, ou melhor o Bodhisattva do Mestre Samael sempre foi muito consciente de sua natureza humana, e da natureza divina do Ser, cumpriu com aquilo de ser Humilde para chegar a sabedoria e mais humilde depois de havê-la encontrado. Isto não como mera imitação, mas como um exemplo vivo é algo que vale a pena ser estudado e compreendido para que encontremos em nós estas debilidades e por consequência possamos transformá-las por meio da compreensão e do fogo sagrado em virtudes do Espírito.



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